Bom, me deu vontade vou voltar a escrever e espero que agora seja algo constante, mesmo eu não o sendo. Vou escrever mais, espero.
Um exercício rápido de abstração: se os sentimentos são finitos, embora em um número praticamente incontável, e o tempo é infinito, tanto para trás quanto para frente, então os sentimentos se repetem com o tempo. É um ciclo em que as gerações vão sentindo coisas parecidas e à medida que o tempo passa ocorre uma "saturação" de sentimentos, um desgaste, uma repetição. Esse exercício foi feito no século 19 e é uma imitação bem fraca de uma idéia do filósofo Nietzsche. Ele não está se revirando no túmulo porque ele não chegou a terminar esse conceito. Mas simplificadamente: a existência não tem objetivo ou finalidade, pois se tivesse já o teria atingido, ela se arrasta indefinidamente. Imagina-se a ampulheta da vida simplismente virando ode lado e deixando caírem os grãos do tempo novamente, como sempre. Se entendidos os sentimentos como polos opostos, por exemplo a tristeza o oposto da felicidade, seria possível eles se repetirem com o tempo pois são finitos e o tempo, infinito. Enfim, não importa tanto se essa teoria é verossímil, o importante é pensar um pouco sobre ela. Muito importante.
Mediocridade não é um xingamento, é uma constatação. Medíocre significa simplesmente "aquele que está na média". Não é vergonha alguma estar na média, você é simplesmente como os outros. E, por definição, a maioria das pessoas está na média (se não não seria média), embora elas mesmas não percebam facilmente. E esquecendo um pouco o alemão louco Friedrich, extrapolando isso significa que essas pessoas estão sujeitas a esse retorno. Elas vivem uma vida que já foi vivida e que vai ser vivida, sem inovação. Uma fila, uma repetição, um sempre.
Vou sempre evitar usar exemplos, mas espero não estar sendo tão teórico. Mas imagine alguém bem superficial. Essa pessoa se retém a não se aprofundar, a viver como ela "acha" certo mas o que ela acha não é nada mais fruto do que pensaram por ela ou do que a impuseram sem que ela soubesse, explico. O sistema como está não foi pensado por essa pessoa e a forma dela de ver o mundo, em se tratando de alguém superficial que não para para raciocinar sobre isso, foi lhe imposta carinhosamente pela sorridente sociedade que funciona para que sempre continue funcionando. Aí está a definição que eu queria de mediocridade, alguém que vê a situação e não se importa em mudá-la, alguém que se conforma, a média.
É triste ver essas pessoas se submetendo a serem como outras já foram, só que contextualizadas com nossa atual situação. Pessoas que já foram e estão sendo e que serão e que se repetem. A média, se não se incomodar em mudar sua situação de iguais, continuará a sendo. E criticando o que acham errado sem tirar a bunda do computador.
Isso infelizmente acompanha a humanidade desde sempre. Nietzsche morreu louco, mas acho que ele tentou dizer alguma coisa. Pensem por si próprios como quebra o ciclo, agora ficou fácil :D .
Bom, um texto chato mas era pra tirar um pouco o pó.. Agora uma poesia, que na verdade é bem leve e fraca, mas que sirva de um alento tênue, ao menos.
"Poema próximo"
Que me digam do pouco que sonhei
mas que seja importante e afete
do que meu esforço e engenho
pois acredito que o desvario que entoei
por mais miúdo e intérprete
seja a forma de um possível desenho.
Então espero que meus amigos me lembrem
quão insenstato e fugaz
inconstante e genioso
tentou essa inútil criatura
transformar o mundo em maravilhoso.
Não há pânico tampouco pressa
angústia entretanto passageira
ardor tímido indeciso
que sóbrio sempre professa
na sua intrigante agonia ligeira
um mundo inteiro diviso.
Embora noite, fria e cálida
não encerre como de costume
e sim revele que transpor
nessa fraca imitação esquálida,
seja na verdade seu perfume
ou simples inspiração de um escritor.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Um pouco de crítica, também (O ventríloquo)
Um pouco de crítica, que também é uma função da poesia. Vejamos até onde a metáfora é válida.
"O ventríloquo"
Abismo. Você é sugado
Grita, ninguém te ouve.
Chora, quem te consola?
Olha e perscruta, nada vê.
Ri e desespera, nada te espera.
A queda é infinita.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez a visão se torne mais clara.
O que vê, homem de fé?
- Vejo um mal-trato,
tal trato à cultura.
Homem-média!
sai desse abismo.
Procura, interessa, desenvolve,
conjuga os verbos na voz ativa.
Quem tu és, senhor medíocre?
Você e todos, não há diferença!
Para, não mantém a tola crença
que a vida é algo que simplesmente passa.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o tato te torne mais sensível.
O que toca, homem de fé?
- Toco um mal-trato,
tal trato ao próprio humano.
Homem-máquina!
sai desse abismo.
Metal, pole tua engrenagem.
Tua mecânica repetitiva me enjoa.
Quem tu és, linha-de-montagem?
Você produto, massificado.
Para, quebra o ciclo
que a vida é algo mais que só repetição.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o cheiro se torne mais forte.
O que sente, homem de fé?
- Sinto um mal-trato,
tal trato à vontade.
Homem-ego!
sai desse abismo.
Potento falsificador de efeito inócuo,
valoriza o esforço e não a bajulação.
Quem tu és, brio inacessível?
Nada, e ainda se supõe tudo!
Para, enfatiza o esforço e a vontade
que a vida é algo que se constrói.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o gosto se torne mais amargo.
O que prova, homem de fé?
- Provo um mal-trato
tal trato dado à ambição.
Homem-sede!
sai desse abismo.
Minhas entranhas teu gosto sentem,
amargas como ciúmes, mentem.
Quem tu és, falsidade vil?
Teu gosto me enoja, agora que o sinto!
Para, muda teu sabor,
inveja, ciúme e mentira só levam à dor.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o som se torne mais audível.
O que escuta, homem de fé?
- Escuto um mal-trato,
tal trato à literatura.
Homem-grito!
sai desse abismo.
Tão audível quanto consegue,
ressoa a voz que me segue.
Quem tu és, atormentado?
Escritor, criatura ingênua!
Esperançoso, quiçá o acontecido
de um dia seu lamento ser ouvido.
Queda, segue teu ritmo
interminável, ininterrupto.
Talvez a epifania se torne dogma.
E à luz tudo seja sinestésico.
Homem-humano!
ventríloquo de suas fraquezas.
Tão casual, tão tangível.
Tão grandioso, tão fraco
Tão tudo,
[mas nada].
"O ventríloquo"
Abismo. Você é sugado
Grita, ninguém te ouve.
Chora, quem te consola?
Olha e perscruta, nada vê.
Ri e desespera, nada te espera.
A queda é infinita.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez a visão se torne mais clara.
O que vê, homem de fé?
- Vejo um mal-trato,
tal trato à cultura.
Homem-média!
sai desse abismo.
Procura, interessa, desenvolve,
conjuga os verbos na voz ativa.
Quem tu és, senhor medíocre?
Você e todos, não há diferença!
Para, não mantém a tola crença
que a vida é algo que simplesmente passa.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o tato te torne mais sensível.
O que toca, homem de fé?
- Toco um mal-trato,
tal trato ao próprio humano.
Homem-máquina!
sai desse abismo.
Metal, pole tua engrenagem.
Tua mecânica repetitiva me enjoa.
Quem tu és, linha-de-montagem?
Você produto, massificado.
Para, quebra o ciclo
que a vida é algo mais que só repetição.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o cheiro se torne mais forte.
O que sente, homem de fé?
- Sinto um mal-trato,
tal trato à vontade.
Homem-ego!
sai desse abismo.
Potento falsificador de efeito inócuo,
valoriza o esforço e não a bajulação.
Quem tu és, brio inacessível?
Nada, e ainda se supõe tudo!
Para, enfatiza o esforço e a vontade
que a vida é algo que se constrói.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o gosto se torne mais amargo.
O que prova, homem de fé?
- Provo um mal-trato
tal trato dado à ambição.
Homem-sede!
sai desse abismo.
Minhas entranhas teu gosto sentem,
amargas como ciúmes, mentem.
Quem tu és, falsidade vil?
Teu gosto me enoja, agora que o sinto!
Para, muda teu sabor,
inveja, ciúme e mentira só levam à dor.
Queda, segue teu ritmo.
Talvez o som se torne mais audível.
O que escuta, homem de fé?
- Escuto um mal-trato,
tal trato à literatura.
Homem-grito!
sai desse abismo.
Tão audível quanto consegue,
ressoa a voz que me segue.
Quem tu és, atormentado?
Escritor, criatura ingênua!
Esperançoso, quiçá o acontecido
de um dia seu lamento ser ouvido.
Queda, segue teu ritmo
interminável, ininterrupto.
Talvez a epifania se torne dogma.
E à luz tudo seja sinestésico.
Homem-humano!
ventríloquo de suas fraquezas.
Tão casual, tão tangível.
Tão grandioso, tão fraco
Tão tudo,
[mas nada].
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Poesia primeira
No prefácio de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis preocupa-se se sua obra seria lida por mais de cinco leitores, ao exemplo dado de outro escritor que se preocupava se sua obra seria lida por cem leitores.
Não sou o gênio machadiano então as aflições que me percorrem são menores: me contentaria se minha obra fosse lida por três leitores. Isso, nada mais nada menos, três leitores. Mas com a condição de que fossem três leitores completos!, cuja leitura fosse de bom nível. É é para esses três leitores mais alguém, caso queira ler, que escrevo essas mal-escritas linhas, mas que são sinceras.
Vou começar com uma poesia, é o melhor a se fazer por agora.
"Poesia Primeira"
Assim eu queria a primeira palavra,
leve e forte,
realista e romântica,
Parnaso e Hermes,
Apolo e Dionísio,
sinônima e antônima,
inocente e esperançosa,
crente e atenciosa,
falha e significante,
tão primeira!
Assim eu queria a primeira trova,
alta e audível,
mordaz e compreensível,
rítmica e seca,
sensata e dúbia,
música do povo nas vitrines,
tão cantada!
Assim eu queria a primeira construção,
bruta e sinestésica,
verdadeira e declama
subjetiva e alicerçada,
tão sólida!
Assim eu queria a primeira poesia,
maravilhosa e simples,
inteligente e modesta,
lírica e sincera,
tão poesia!
Não sou o gênio machadiano então as aflições que me percorrem são menores: me contentaria se minha obra fosse lida por três leitores. Isso, nada mais nada menos, três leitores. Mas com a condição de que fossem três leitores completos!, cuja leitura fosse de bom nível. É é para esses três leitores mais alguém, caso queira ler, que escrevo essas mal-escritas linhas, mas que são sinceras.
Vou começar com uma poesia, é o melhor a se fazer por agora.
"Poesia Primeira"
Assim eu queria a primeira palavra,
leve e forte,
realista e romântica,
Parnaso e Hermes,
Apolo e Dionísio,
sinônima e antônima,
inocente e esperançosa,
crente e atenciosa,
falha e significante,
tão primeira!
Assim eu queria a primeira trova,
alta e audível,
mordaz e compreensível,
rítmica e seca,
sensata e dúbia,
música do povo nas vitrines,
tão cantada!
Assim eu queria a primeira construção,
bruta e sinestésica,
verdadeira e declama
subjetiva e alicerçada,
tão sólida!
Assim eu queria a primeira poesia,
maravilhosa e simples,
inteligente e modesta,
lírica e sincera,
tão poesia!
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